Para Kristeva, então, a obra de Duras precisa ser vista contra um pano de fundo de temas apocalípticos: Hiroshima, o Holocausto, o stalinismo, o colonialismo. Ela participa, pois, da busca de um meio simbólico adequado para representar o horror do que aconteceu. Em vez de se concentrar em um sentido público do sofrimento, este é apresentado em um contexto intensamente privado. As pessoas se trancam em sua tristeza - ou depressão - particular, de modo que seu discurso, em vez de ser um meio para uma alguma espécie de catarse ou aceitação do horror, é na verdade um sintoma dele. Como os escritos de Duras são tão intensamente evocativos e descritivos de tristeza, em vez de serem uma análise dela, eles, na visão de Kristeva, nos levam à beira da loucura com a qual seus textos se fundem mais do que a representam ou transcendem. Essa loucura, no entanto, é hoje o único meio de vida da individualidade, tão empobrecidos estão os meios públicos de representação.
Lechte, John, "50 Pensadores Contemporâneos Essenciais:do Estruturalismo à Pós-modernidade", tradução de Fábio Fernandes,Editora Difel.,2002
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