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sábado, 3 de julho de 2010

Semiótica: Tzvetan Todorov

Falando de modo geral, Todorov busca trazer à luz os vários processos (procédés) pelos quais uma narrativa é realizada. Esses processos devem permanecer relativamente invisíveis para o leitor para que a narrativa seja bem-sucedida como a portadora de uma história com intriga. Esses processos são também equivalentes às funções ou sentidos (sens) de cada elemento da narrativa como um todo. Como Genette, Todorov também está interessado em analisar, em um texto determinado, tempo, narração subjetividade (ou o contexto ou processo da narração) e objetividade (ou a narração como uma citação ou ato linguístico completado).


Lechte, John"50 Pensadores Contemporâneos Essenciais:do Estruturalismo à Pós-modernidade", tradução de Fábio Fernandes,Editora Difel.,2002

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Semiótica: Fernand de Saussure

Provavelmente a principal objeção que pode ser levantada contra a transposição da ênfase de Saussure na estrutura para o estudo da vida social e cultural é que ele não dá suficiente espaço para o papel da prática e da autonomia individual. Ver a liberdade humana como produto da vida social, mais do que como a origem da causa da vida social, fez com ela parecesse, aos olhos de alguns observadores, ser bastante limitada. Um viés conservador, negando a possibilidade da mudança, seria então a conseqüência da estrutura. Embora esse problema ainda esteja por se resolver, talvez seja importante reconhecer a diferença entre a liberdade do indivíduo hipotético (cuja própria existência social seria equivalente a um limite na liberdade) e uma sociedade de indivíduos livres, no qual a liberdade seria o resultado da vida social compreendida como uma estrutura de diferenças. Ou, melhor, poderíamos dizer que talvez os pesquisadores devessem começar a explorar a idéia de que, parafraseando Saussure, sociedade é um sistema de liberdades sem termos positivos. Sob essa leitura, não haveria liberdade essencial ou substantiva: nenhuma liberdade encarnada no indivíduo  em um estado de natureza.


Lechte, John"50 Pensadores Contemporâneos Essenciais:do Estruturalismo à Pós-modernidade", tradução de Fábio Fernandes,Editora Difel.,2002

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Semiótica: Charles Sanders Peirce

Até certo ponto o próprio Peirce antecipou as limitações que Eco e outros têm detectado em seus escritos sobre signos. E isso não se dá apenas no sentido de um cientista positivista pronto para ceder seu lugar na história para uma nova geração de pesquisadores, mas também no sentido de alguém que se via com um "pioneiro ou um caipira" engajado em "limpar e revelar" a "semiótica, ou seja, a doutrina da natureza essencial e variedades fundamentais da semiose possível". E como se antecipando a leitura de Dostoievski por Bakthin, Peirce também argumentou não só que todo pensamento é necessariamente em signos, como também que "todo pensamento é dialógica em forma", ainda que esse diálogo seja apenas consigo mesmo. Essa linha dinâmica na teoria dos signos de Peirce torna-o o pai de uma semiótica não-positivista.


Lechte, John"50 Pensadores Contemporâneos Essenciais:do Estruturalismo à Pós-modernidade", tradução de Fábio Fernandes,Editora Difel.,2002

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Semiótica: Julia Kristeva

Em sua magnum opus, La révolution du language poétique, Kristeva não só mostra como a base poética da linguagem (seus sons  e ritmos, e múltiplas bases de enunciação) é explorada por escritores de vanguarda do século XIX, como Mallarmé e Lautréamont, mas também demonstra como a linguagem poética tem efeitos numa formação histórica e econômica específica, a saber: a França da Terceira República. Nessa obra, também, Kristeva dá continuidade ao desenvolvimento de sua teoria do sujeito como um sujeito em processo; mas agora ela citar explicitamente a teoria psicanalítica lacaniana. O semiótico, portanto, equaciona=se com o chora feminino, que é grosseiramente o lugar irrepresentável da mãe. É um tipo de origem, mas não uma origem nominável; pois isso o enquadraria no reino simbólico e nos daria uma falsa idéia dele. Como o feminino em geral, o chora está do lado da dimensão material e poética da linguagem.


Lechte, John"50 Pensadores Contemporâneos Essenciais:do Estruturalismo à Pós-modernidade", tradução de Fábio Fernandes,Editora Difel.,2002

terça-feira, 29 de junho de 2010

Semiótica: Louis Hjelmslev

Como Saussure, Hjelmslev começa da posição de que a linguagem é uma instituição supra-individual que deve ser estudada e analisada por si só, e não ser vista como o veículo, ou instrumento, de conhecimento, pensamento, emoção - ou, de modo mais geral, como um meio de contato com o que lhe é externo. Resumindo, a abordagem transcendental (linguagem como um meio) deveria abrir caminho a uma abordagem imanente (o estudo da linguagem em si mesma). Para esse fim Hjelmslev desenvolveu o que pensava como um sistema simples e rigoroso de conceitos e termos que esclareceria, no nível mais alto de generalidade, a natureza da linguagem e também tornaria mais competente o estudo de suas realizações.


Lechte, John"50 Pensadores Contemporâneos Essenciais:do Estruturalismo à Pós-modernidade", tradução de Fábio Fernandes,Editora Difel.,2002

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Semiótica: Algirdas Julien Greimas

A semiótica estrutural, entretanto, rompe com uma concepção lingüística convencional de significado, concentrando-se não na palavra nem na sentença fora de contexto, mas na rede de relações em que o significado emerge. Como vimos acima, porque, para Greimas, a idéia de uma "rede de relações" anda de mãos dadas com a realização da linguagem, uma semântica estrutural torna-se uma semiótica estrutural quando o sentido é transposto para unidades de análise descrevendo a produção de sentido em um contexto determinado. Resumindo, a semiótica estrutural descreve o sentido do sentido. Esse sentido não será nem intencional (relacionado ao sujeito piscológico_, nem hermenêutico (um sentido anterior à realização da linguagem). Em suma, Greimas busca estudar a produção de sentido no discurso: o sentido com um processo de significação.


Lechte, John"50 Pensadores Contemporâneos Essenciais:do Estruturalismo à Pós-modernidade", tradução de Fábio Fernandes,Editora Difel.,2002

domingo, 27 de junho de 2010

Semiótica: Umberto Eco

Embora A Theory of Semiotics lide explicitamente com uma teoria de códigos e de produção de signos, seu ponto de partida subjacente é o conceito de Peirce sobre "semiose ilimitada". A semiose ilimitada refere-se, nas mãos de Eco, ao tipo de posição central em relação à posição do leitor. Embora a semiose ilimitada seja o resultado dos fatos de que signos em linguagem sempre sempre se referem a outros signos e que um texto sempre oferece a perspectiva de infinitas interpretações. Eco quer evitar os extremos de sentido unívoco, por um lado, em oposição a infinitas mensagens, por outro. A semiose ilimitada corresponde ao "interpretante" de Peirce, em que o sentido é estabelecido com referência às condições de possibilidade.


Lechte, John"50 Pensadores Contemporâneos Essenciais:do Estruturalismo à Pós-modernidade", tradução de Fábio Fernandes,Editora Difel.,2002

sábado, 26 de junho de 2010

Semiótica: Roland Barthes

Depois de analisar Sade, Fourier e Loyola como "logotetas" e fundadores de "linguagens" em Sade, Fourier, Loyola - um exercício lembrando a "linguagem" (langue) da moda - Barthes escreveu sobre prazer e leitura em O Prazer do Texto. Este último marca uma antecipação do estilo mais fragmentário, personalizado e semificcional dos escritos futuros. O prazer do texto está "vinculado à consistência do self, do sujeito que está seguro de seus valores de conforto, expansividade, satisfação". Esse prazer, que é típico do texto legível, contrasta com o texto de jouissance (o texto do divertimento, do êxtase, da perda do self). O texto do prazer contém muitas vezes delicadeza e refinamento supremos, em contraste com o freqüentemente ilegível texto poético da jouissance. Os próprios textos de Barthes, especialmente de 1973 em diante, podem ser descritos acuradamente em termos dessa concepção de prazer. Assim, após desfilar a linguagem (langue) de outros, Barthes, como um escritor de prazer, passou a dar largas a sua própria linguagem singular. De um ponto em que se tornou crítico por medo de não ser capaz de escrever (ficções em particular). Barthes não só se tornou um grande escritor, como também tornou difusa a distinção entre crítica e escrita (poética).


Lechte, John"50 Pensadores Contemporâneos Essenciais:do Estruturalismo à Pós-modernidade", tradução de Fábio Fernandes,Editora Difel.,2002