Um termo que é para Sollers quase sinônimo de "exceção" é "singularidade". Para ter uma melhor apreensão dessa idéia do início dos anos 80, Sollers, juntamente com alguns de seus colegas, como Jean-Houdebine, buscou uma elaboração de "singularidade" ao conceito de "haecceitas" de Duns-Scotus. Literalmente, haecceitas é o "issismo" ("thisness" no original) de algo. É absoluta particularidade ou individualidade. Na verdade, haecceitas é o que não pode ser considerado por qualquer convenção ou norma social preexistente; antes, a norma em si tem de ser modificada para abrir caminho para a singularidade que é a haecceitas. O sistema social inevitavelmente censura a singularidade; mas, como um sistema aberto em biologia, a singularidade também é essencial para manter a vitalidade do sistema.
Lechte, John, "50 Pensadores Contemporâneos Essenciais:do Estruturalismo à Pós-modernidade", tradução de Fábio Fernandes,Editora Difel.,2002
Mostrando postagens com marcador Modernidade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Modernidade. Mostrar todas as postagens
sábado, 17 de julho de 2010
sexta-feira, 16 de julho de 2010
Modernidade: Georg Simmel
Em "The metropolis and mental life", Simmel oferece um esboço analítico da interação entre consciência individuais e a cidade moderna. Como Ferdinand Tönnies e outros ants dele, Simmel destaca a forma pela a qual vida na cidade em seu sentido moderno contrasta com a tradição. Na cidade, os laços formais entre indivíduos substituem os laços afetivos mais tradicionais; com ascensão da burocracia e da ciência, a vida torna-se altamente diferenciada; ela não possui mais um conteúdo fixo, mas é antes, carecterizada por formas abstratas, das quais o dinheiro é a mais importante. Antes de entrarmos em mais detalhes, vamos observar que, na metrópole, o dinheiro, como meio de troca, permite a transferência da mais ampla variedade possível de artigos imagináveis porque é uma medida comum para todos; é, portanto, um grande nivelador.
Lechte, John, "50 Pensadores Contemporâneos Essenciais:do Estruturalismo à Pós-modernidade", tradução de Fábio Fernandes,Editora Difel.,2002
Lechte, John, "50 Pensadores Contemporâneos Essenciais:do Estruturalismo à Pós-modernidade", tradução de Fábio Fernandes,Editora Difel.,2002
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Modernidade: Friedrich Nietzche
A figura do homem superior atinge seu apogeu no postumamente publicado A Vontade da Potência. De modo interessante, Nietzche se caracterizava como um pensador quintessencialmente póstumo - um pensador fora de sintonia com sua época. Apesar de seu status póstumo, A Vontade da Potência é a mais bem sustentada articulação de uma série de aspectos centrais do pensamento de Nietzche. Esses incluem: a vontade da potência; o eterno retorno; o niilismo; o antiidealismo; e uma reavaliação de todos os valores.
Lechte, John, "50 Pensadores Contemporâneos Essenciais:do Estruturalismo à Pós-modernidade", tradução de Fábio Fernandes,Editora Difel.,2002
Lechte, John, "50 Pensadores Contemporâneos Essenciais:do Estruturalismo à Pós-modernidade", tradução de Fábio Fernandes,Editora Difel.,2002
quarta-feira, 14 de julho de 2010
Modernidade: James Joyce
O problema de escrever, evidente em um texto como Ulysses, é de como dar uma forma literária - escrita - ao acaso e à contingência - em outras palavras, aos eventos do aqui e do agora. Kristeva denominou esse aspecto da escrita de Joyce uma "revelação" - mediante o qual ela quer dizer que o texto é uma escrita do que não pode ser previsto por uma estrutura (simbólica) ou armação. Isso poderá parecer uma coisa estranha de dizer, dado que a escrita de Joyce aparentemente lida com a própria banalidade da existência, ou seja, com as coisas que parecem estar tão distantes quanto possível do exótico ou do heróico.
Lechte, John, "50 Pensadores Contemporâneos Essenciais:do Estruturalismo à Pós-modernidade", tradução de Fábio Fernandes,Editora Difel.,2002
Lechte, John, "50 Pensadores Contemporâneos Essenciais:do Estruturalismo à Pós-modernidade", tradução de Fábio Fernandes,Editora Difel.,2002
terça-feira, 13 de julho de 2010
Modernidade: Maurice Blanchot
Diferente de Joyce, Blanchet não escreve uma prosa "ilegível"; nem compões textos explicitamente musicais, como Mallarmé - embora o autor de Un Coup de dés seja um importante ponto de referência para ele. Ao contrário, a limpidez imediata da escrita ficcional de Blanchot leva o leitor a esperar que seu significado seja correspondentemente acessível. A frase de abertura de L´Arrêt de mort (Sentença de morte) é exemplar: "Essas coisas me acontecerem em 1938". Gradualmente essa limpidez de estilo e sentido dá margem a uma profunda obscuridade. Nomes são apagados à la Kafka; o lugar em que os eventos acontecem parece ser Paris, mas os endereços completos jamais são dados: "J" é uma mulher com uma doença terminal que parece morrer por vontade própria e que, mais tarde, parece ser auxiliada a morrer pelo narrador, que administra um coquetel mortal de morfina e sedativo. Os eventos parecem acontecer na época da crise de Munique, mas ao narrador também dá a impressão de que os "eventos" envolvidos são os que pertencem à escrita como os da história - uma escrita que o narrador continuamente se recusa a assumir. Na verdade, o tempo da escrita é ambíguo. Um rascunho inicial da narrativa foi destruído, e isso impele a escrita ao passado distante, enquanto, no ponto após a morte de J, o narrador diz que os eventos sendo narrados ainda não aconteceram. Esses tipos de característica na obra de Blanchot provocaram a descrição deles como navegando no torvelinho da indeterminação. E, de fato, a própria teoria literária de Blanchot oferece algumas bases para isso.
Lechte, John, "50 Pensadores Contemporâneos Essenciais:do Estruturalismo à Pós-modernidade", tradução de Fábio Fernandes,Editora Difel.,2002
Lechte, John, "50 Pensadores Contemporâneos Essenciais:do Estruturalismo à Pós-modernidade", tradução de Fábio Fernandes,Editora Difel.,2002
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Modernidade: Walter Benjamin
Muito embora Benjamim estivesse claramente fascinado pela modernidade - como o Projeto Arcades e seus outros escritos indicam -, ele também tem sido considerado um teórico da tradição, que supostamente teria sido o que a modernidade eliminou. Sem, a esta altura, procurar um motivo judaico para esse interesse, é possível sugerir que o ponto de conexão entre tradição e modernidade na obra de Benjamin seja a idéia de reprodução. Ela emerge em uma série de disfarces diferentes nos escritos de Benjamin: na imagem do contador de histórias, na concepção de tradução, na valorização da mémoire involontaire de Proust, no aspecto lírico da poesia de Baudelaire e no conceito de transmissão cultural no Projeto Arcades. Muito brevemente, vamos examinar cada um desses aspectos.
Lechte, John, "50 Pensadores Contemporâneos Essenciais:do Estruturalismo à Pós-modernidade", tradução de Fábio Fernandes,Editora Difel.,2002
Lechte, John, "50 Pensadores Contemporâneos Essenciais:do Estruturalismo à Pós-modernidade", tradução de Fábio Fernandes,Editora Difel.,2002
Assinar:
Postagens (Atom)