Em grande parte, a postura teórica subjacente de Bourdieu foi apresentada em seu ensaio de 1970, An Outline of a Theory of Practice. Ali, no contexto de estudos etnográficos, Bourdieu delineia uma estrutura de três segmentos de conhecimento teórico, cujo nível mais reflexivo acabará sendo empregado para classificar "os classificadores", para "objetivar o sujeito objetivante" e para julgar os próprios árbitros de gosto. O primeiro elemento dessa estrutura é a "experiência primária" ou que Bourdieu também denomina nível "fenomenológico". Esse nível é conhecido de todos os pesquisadores em campo porque é a fonte de seus dados descritivos básico a respeito do mundo familiar cotidiano - seja de sua própria sociedade ou de outra. o segundo nível, quase tão familiar quanto o anterior, é o do "modelo" ou do conhecimento "objetivista". Aqui o conhecimento "constrói as relações objetivas" (por exemplo, econômicas ou lingüísticas) "que estruturam a prática e as representações da prática". Assim, em um nível "primário", o pesquisador poderia observar que em cada casamento, nascimento ou Natal as pessoas trocam presentes. Em um nível objetivista, o pesquisador poderia teorizar a respeito de que, apesar do que sugere o senso comum, a troca de presentes é um meio de manter o prestígio e confirmar uma hierarquia social e talvez também um exemplo da maneira como a troca enquanto tal é um modo de coesão social.O ponto que Bourdieu enfatiza a respeito desse conhecimento é que ele é fundamentalmente o conhecimento do observador neutro e distanciado que se dedica a desenvolver uma teoria da prática implícita nos dados primários.
Lechte, John, "50 Pensadores Contemporâneos Essenciais:do Estruturalismo à Pós-modernidade", tradução de Fábio Fernandes,Editora Difel.,2002
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