terça-feira, 15 de junho de 2010

Estruturalismo: Roman Jakobson

Assim que para Jakobson, assim que paras muitos outros, a poética tende ao lado metafórico da aventura linguística, foi o padrão sonoro da poesia - e não o papel da metáfora como tal - inicialmente ilustrado nas diferenças entre os padrões sonoros da poesia tcheca e russa, que primeiro estimulou as pesquisas de Jakobson na área. Na verdade, a diferença entre as poesias tcheca e russa, ele descobriu, estava no ritmo. Foi a partir do estudo do ritmo poético que a "fonologia" de Jakobson se desenvolveu. Em particular, concentrando-se nos vínculos entre som e significado, Jakobson concluiu que som e sentido eram mediados pela diferença - que ele veio a chamar de "característica distintiva". Ou, melhor, como, na visão de Jakobson, a linguagem é basicamente um sistema de significados, a fala não é composta de sons, mas de fonemas, "um conjunto de propriedades sonoras concomitantes que são utilizadas em uma linguagem determinada para distinguir palavras de sentidos diferentes". 


Lechte, John"50 Pensadores Contemporâneos Essenciais:do Estruturalismo à Pós-modernidade", tradução de Fábio Fernandes,Editora Difel.,2002

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Estruturalismo: Gérard Genette

A obra de Gérard Genette é de particular importância para teóricos literários e semiólogos. A preocupação constante na obra substancial de Genette, que abrange o espectro literário desde os clássicos gregos a Proust, é produzir uma teoria geral - baseada em esquemas classificatórios - da singularidade do objeto literário. Ansioso por evitar um procedimento procustiano de impor a obras literárias categorias externas, mas recusando a ingenuidade do empirismo da crítica literária, Genette empenhou-se - mediante um "método qualitativo" flexível - em produzir conhecimento a respeito do "mistério" da obra literária sem com isso destruir esse mistério. Inspirado por insights estruturalistas que levaram a análise textual formal a novos níveis nos anos 60, Genette tomou o cuidado de argumentar pela autonomia do objeto literário. Assim, afirma no final, a maior obra de Proust, Em Busca do Tempo Perdido, tomada como um todo, é irredutível: "Nada ilustra senão ela mesma".


Lechte, John"50 Pensadores Contemporâneos Essenciais:do Estruturalismo à Pós-modernidade", tradução de Fábio Fernandes,Editora Difel.,2002

domingo, 13 de junho de 2010

Estruturalismo: Georges Dumézil

Para Dumézil, "estrutura" e "sistema" são intercambiáveis: estrutura diz em latim o que sistema diz em grego. Juntamente como o método comparativo de Dumézil, a estrutura torna-se a chave do esforço duméxiliano em demonstrar que cada religião, cultura ou sociedade é um equilíbrio. A composição de elementos intrinsicamente significativos não acontece por acaso para forma uma espécie de todo (possivelmente) imperfeito. Antes, o todo é sempre já constituído pelas relações entre os elementos propriamente ditos - o sentido do todo sendo dado pelo fato dessas relações. Assim Dumézil está claramente do lado do movimento estruturalista do pensamento. Contudo, em oposição à busca de Lévi-Strauss pelos universais nos assuntos humanos, Dumézil esclareceu que estava muito ligado ao particular, aos "fatos", como freqüentemente os chamava. Deixar o reino dos fatos é "fazer poesia", penetrar um mundo de sonhos,  afirmava Dumézil. Devido a sua ênfase nos fatos, no particular, Dumézil não via como era possível retirar de sua obra qualquer espécie de sistema filosófico de base ampla, semelhante ao de Lévi-Strauss. Além disso, resistiu conscientemente durante toda a sua vida a todos os esforços de encaixá-lo em alguma "escola" de pensamento, desejando - e com muita intensidade - ser sua própria pessoa em questões intelectuais ou acadêmicas. Se membro de uma escola, acreditava ele, era perder a autonomia, essencial ao estudo verdadeiramente original e rigoroso.


Lechte, John"50 Pensadores Contemporâneos Essenciais:do Estruturalismo à Pós-modernidade", tradução de Fábio Fernandes,Editora Difel.,2002

sábado, 12 de junho de 2010

Estruturalismo: Noam Chomsky

Por fim, o racionalismo de Chomsky parece ser uma reação muito exagerada ao behaviorismo e empirismo característicos do ambiente filosófico e lingüístico anglo-americano em que Chomsky foi treinado. Como resultado, ele é com freqüência considerado o racionalista armado até os dentes tentando dolorosamente abrir algum caminho contra as forças do empirismo. Contudo, os importantes debates teóricos sobre linguagem e filosofia evidentemente não estão hoje limitados ao que a rivalidade entre racionalismo e empirismo provocou. O fato de que os escritos teóricos de Chomsky não pareçam ter registrado isso é uma séria limitação.


Lechte, John"50 Pensadores Contemporâneos Essenciais:do Estruturalismo à Pós-modernidade", tradução de Fábio Fernandes,Editora Difel.,2002

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Estruturalismo: Pierre Bourdieu

Em grande parte, a postura teórica subjacente de Bourdieu foi apresentada em seu ensaio de 1970, An Outline of a Theory of Practice. Ali, no contexto de estudos etnográficos, Bourdieu delineia uma estrutura de três segmentos de conhecimento teórico, cujo nível mais reflexivo acabará sendo empregado para classificar "os classificadores", para "objetivar o sujeito objetivante" e para julgar os próprios árbitros de gosto. O primeiro elemento dessa estrutura é a "experiência primária" ou que Bourdieu também denomina nível "fenomenológico". Esse nível é conhecido de todos os pesquisadores em campo porque é a fonte de seus dados descritivos básico a respeito do mundo familiar cotidiano - seja de sua própria sociedade ou de outra. o segundo nível, quase tão familiar quanto o anterior, é o do "modelo" ou do conhecimento "objetivista". Aqui o conhecimento "constrói as relações objetivas" (por exemplo, econômicas ou lingüísticas) "que estruturam a prática e as representações da prática". Assim, em um nível "primário", o pesquisador poderia observar que em cada casamento, nascimento ou Natal as pessoas trocam presentes. Em um nível objetivista, o pesquisador poderia teorizar a respeito de que, apesar do que sugere o senso comum, a troca de presentes é um meio de manter o prestígio e confirmar uma hierarquia social e talvez também um exemplo da maneira como a troca enquanto tal é um modo de coesão social.O ponto que Bourdieu enfatiza a respeito desse conhecimento é que ele é fundamentalmente o conhecimento do observador neutro e distanciado que se dedica a desenvolver uma teoria da prática implícita nos dados primários.




Lechte, John"50 Pensadores Contemporâneos Essenciais:do Estruturalismo à Pós-modernidade", tradução de Fábio Fernandes,Editora Difel.,2002

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Estruturalismo: Emile Benveniste

Um elemento fundamental da teoria de Benveniste a respeito da linguagem enquanto discurso é sua teoria dos pronomes, em particular, a teoria da polaridade eu/você. Gramaticalmente, essa polaridade constitui os pronomes de primeira e segunda pessoa: a terceira é uma "não pessoa", status revelado pela voz neutra da narrativa ou descrição - a voz da denotação. Kristeva verá essa polaridade como a chave para compreender a dinâmica da relação sujeito/objeto (eu = sujeito, você = objeto) na linguagem. O resultado é que, hoje, a polaridade eu/você tem sentido unicamente em relação à instância presente no discurso. Como nosso autor explica ao discutir a "realidade" à qual eu ou você se refere: "Eu significa ´a pessoa que está pronunciando a instância presente no discurso contendo eu." Essa instância é exclusiva por definição e só tem valor em sua exclusividade... Eu só pode ser identificado pela instância do discurso que o contém e apenas por ela". Você, por outro lado, é definido da seguinte maneira:


introduzindo a situação de "endereço", obtemos uma definição simétrica para você como o "indivíduo a quem a fala na instância presente do discurso contendo a instância linguística de você". Essas definições [acrescenta Benveniste) se referem a eu e você como uma categoria de linguagem e estão relacionadas a sua posição na linguagem.


Lechte, John"50 Pensadores Contemporâneos Essenciais:do Estruturalismo à Pós-modernidade", tradução de Fábio Fernandes,Editora Difel.,2002

Estruturalismo: Louis Althusser

Para adotar mais uma vez um tom mais crítico, a teorização de Althusser é na verdade um foco terrivelmente estreito, por se agarrar tanto ao cânone do pensamento marxista. Em conseqüência, embrar Althusser esteja diretamente preocupado com o conceito de ciência e embora afirme que Marx inaugurou a ciência da história, é quase impossível determinar com precisão o que significa ciência, fora do fato um tanto obscurecedor de que, ao contrário da ideologia, a ciência não tem um sujeito.Além disso, ainda que aspectos do texto de Althusser sobre ideologia contenham algumas das melhores coisas que ele escreveu, o elo real entre ideologia, reprodução e interpelação não é suficientemente explicado. Se a ideologia está sempre presente (sendo a relação imediata que as pessoas têm com o mundo), mas é, sob o modo de produção capitalista, a forma pela qual a exploração é mantida, qual é o elo entre ideologia em geral e a forma historicamente específica pela qual os indivíduos são constituídos como sujeitos no capitalismo? Subitamente vemos que, com toda a ênfase na descoberta científica de Marx a respeito do modo de produção - uma descoberta que supera a ideologia -, a própria natureza da ideologia como o imediatismo ilusório da relação entre o ser humano e o mundo é esquecida. O que parece ser necessário não é só uma ciência dos modos de produção, mas também uma ciência da natureza da ideologia. E, portanto, embora Althusser tenha algo importante a dizer acerca da ideologia em geral, isso entra em conflito com o que ele quer dizer com um filósofo marxista preocupado com a exploração. O que precisamente pode uma teoria marxista da ideologia nos dizer a respeito da exploração? Quase nada, se fôssemos seguir Althusser nesse ponto - muito embora a ideologia esteja de maneira inextricável ligada à reprodução do sistema. Gradualmente, começamos a perceber que talvez o melhor livro escrito por Althusser tenha sido sua autobiografia.


Lechte, John"50 Pensadores Contemporâneos Essenciais:do Estruturalismo à Pós-modernidade", tradução de Fábio Fernandes,Editora Difel.,2002

terça-feira, 8 de junho de 2010

Origens do Estruturalismo - Maurice Merleau-Ponty

O ponto de partida de Meleau-Ponty é o epoché de Husserl. Para ele, entretanto, o objetivo não é permanecer com a estrutura da filosofia da dúvida de Descartes, como Husserl tende a fazer ao fornecer uma explicação da fenomenologia, ma ir ao âmago da experiência incorporada, que é o que a percepção é. Colocando-se diretamente conta a abstração e o vazio do cogito cartesiano - "Penso, logo existo" - Merleau-Ponty mostra que "ser um corpo é estar atado a um certo mundo"; e acrescenta: "Nosso corpo não está primariamente no espaço: ele é dele". De fato, nosso corpo já está sempre no mundo; logo, não há corpo em-si-mesmo, um corpo que pudesse ser objetivado e receber status universal. A percepção, então, é sempre uma percepção incorporada, que só é o que é num contexto ou situação específicos. A percepção em-si-mesma não existe.


Lechte, John"50 Pensadores Contemporâneos Essenciais:do Estruturalismo à Pós-modernidade", tradução de Fábio Fernandes,Editora Difel.,2002

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Origens do Estruturalismo - Marcel Mauss

A idéia de mana, considerada ligada à qualidade indefinível de prestígio no sistema do presente, foi discutido em ensaio anterior de Mauss sobre mágica. Nele, o autor observa que mana é um dois conceitos preocupantes dos quais a antropologia acreditava ter-se livrado. Mana é um termo vago, obscuro e impossível de definir rigorosamente. Existe na verdade, comenta Mauss, uma verdadeira "infinidade de manas". Mana não é simplesmente uma força, um ser, mas também "uma ação, uma qualidade e um estudo". A palavra é ao mesmo tempo "um substantivo, um adjetivo, um verbo." Mana não pode ser o objeto da experiência porque absorve toda a experiência. Nesse sentido, é da mesma ordem que o sagrado. Para Mauss, isso equivale a dizer que o mana possui uma espiritualidade equivalente ao pensamento coletivo, que é o equivalente da sociedade como tal.


Lechte, John"50 Pensadores Contemporâneos Essenciais:do Estruturalismo à Pós-modernidade", tradução de Fábio Fernandes,Editora Difel.,2002

domingo, 6 de junho de 2010

Origens do Estruturalismo - Jean Cavaillès

Durante sua prisão no Sul da França, Cavaillès escreveu o que se tornou sua obra filosófica mais importante, Sur la logique. Chamar esta últimoa obra de filosófica é de certa forma errôneo. Pois, embora Husserl e outros fenomenologistas aceitassem a visão kantiana de que a filosofia era o árbitro das bases epistemológicas das ciências naturais e humans, Caveillès não aceitou essa visão. Para ele, a investigação das bases das ciências demonstraria que a ciência qua ciência - da qual a matemática é exemplo privilegiado - é fundamentalmente incompreendida se for considerada necessitada de uma metalinguagem filosófica para esclarecer sua estrutura formal. A esse respeito, Cavaillès pensa segundo a forma pela qual Kant lida com a questão de embasar o pensamento em relação à experiência, a questão sendo saber que pensamento e lógica são novas experiências vis-à-vis. Aqui, Cavaillès rapidamente aceita a relação entre lógica e singularidade.


Lechte, John"50 Pensadores Contemporâneos Essenciais:do Estruturalismo à Pós-modernidade", tradução de Fábio Fernandes,Editora Difel.,2002

sábado, 5 de junho de 2010

Origens do Estruturalismo - Georges Canguilhem

Outro tema importante que percorre a obra de Canguilhem é relativo à definição formal do normal. Umas das maneiras pelas quais o normal tem sido definido é em termos de norma estatística. Par Canguilhem, a pesquisa do século XX tem sido capaz de mostrar que um ser vivo pode ser perfeitamente normal, ainda que tendo pouca relação com uma média estatística. De fato, um monstro (outra anomalia) poderia ser bastante normal no sentido de que constitui sua própria norma em relação ao ambiente em que está localizado. "Considerads separadamente, o ser vivo e seu ambiente não são normais: é a relação entre os dois que os faz assim." Uma anomalia pode ser rara e ainda ser normal nesse sentido.


Lechte, John"50 Pensadores Contemporâneos Essenciais:do Estruturalismo à Pós-modernidade", tradução de Fábio Fernandes,Editora Difel.,2002

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Origens do Estruturalismo - Mikhail Bakhtin

O aspecto mais importante do carnaval é o riso. Entretanto, o riso carnavalesco não pode ser equacionado com as formas específicas que assume na consciência moderna. Não é simplesmente paródico, irônico ou satiríco. O riso carnavalesco não tem propósito. É ambivalente. A ambivalência é a chave da estrutura do carnaval. 


Lechte, John"50 Pensadores Contemporâneos Essenciais:do Estruturalismo à Pós-modernidade", tradução de Fábio Fernandes,Editora Difel.,2002

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Origens do Estruturalismo - Gaston Bachelard

Três elementos fundamentais do pensamento de Bachelard:

  • importância colocada sobre a epistemologia da ciência ("O espaço em que se olha, em que se examina, é filosoficamente muito diferente do espaço em que se vê" em "A Filosofia do Não")
  • o segundo grande aspecto da obra de Bachelard que tem sido particularmente influente com relação ao estruturalismo é sua teorização da história da ciência
  • outra dimensão muito influente do pensamento de Bachelard é sua obra analisando as formas da imaginação.
Lechte, John, "50 Pensadores Contemporâneos Essenciais:do Estruturalismo à Pós-modernidade", tradução de Fábio Fernandes,Editora Difel.,2002

Tudo tem um começo

Já tentei um estudo sistemático da filosofia.


Mas já que não sou um filósofo profissional nem pretendo ensinar filosofia, leio o que acho interessante e entendo o que consigo entender. E um texto interessante leva a outro.


Fico fascinado com os textos intrigantes da tríade Hegel, Heidegger e Kant. Inclusive é perigoso confiar nas traduções desses autores e não é fácil entender o original. No entanto mesmo sem compreendê-os eles me fascinam e me fascinam mais quando alcanço alguma compreensão.


Esse blog servirá para mostrar o meu percurso pela filosofia. Ele pode ser uma espiral, um toróide, uma intersecção tridimensional de figuras geométricas em quatro dimensões, o suspiro final, um oxímoro ou tudo isso... 


As primeiras fatias (49) foram extraídas dos livro de John Lechte "50 Pensadores Contemporâneos Essenciais:do Estruturalismo à Pós-modernidade", uma tradução correta de Fábio Fernandes e uma bela panorâmica do pensamento contemporâneo.